Bordões, estética, linguagem própria e identificação emocional ajudam criadores de conteúdo a se consolidarem como referências culturais para além das trends e da viralização.
Em uma internet cada vez mais movida por personalidade, identificação e recorrência, os creators-personagem passaram a ocupar um espaço central na cultura digital. Mais do que produzir vídeos virais, influenciadores têm criado universos próprios, com bordões, estética, formatos e linguagem que ultrapassam as redes sociais e passam a fazer parte do comportamento online do público.

Para o comunicador e criador de conteúdo Andi Ricardo, esse movimento representa uma mudança importante na forma como a audiência se conecta com a internet atualmente. Segundo ele, o público não busca apenas entretenimento, mas também familiaridade, autenticidade e sensação de pertencimento.
“A internet deixou de se conectar só com quem aparece bonito ou faz trend. Hoje as pessoas se conectam com quem cria uma linguagem própria, com quem faz o público reconhecer um jeito de falar, uma expressão, uma energia. Quando isso acontece, o creator deixa de ser apenas uma pessoa produzindo conteúdo e vira quase um universo que o público entende e quer acompanhar”, analisa Andi.
Com forte presença nas redes sociais através do humor, da comunicação espontânea e da construção de narrativas altamente identificáveis, Andi observa que a recorrência de formatos e a autenticidade passaram a ter tanto peso quanto a viralização.
“Muitos creators entenderam que não basta aparecer uma vez. É preciso construir códigos com a audiência. Os bordões, os personagens, as reações e até a forma de gravar acabam virando parte da experiência do público. Isso cria comunidade, faz as pessoas se sentirem próximas e transforma o conteúdo em algo maior do que um vídeo isolado”, afirma.
Além do humor e da construção narrativa, Andi também destaca como a estética e a moda passaram a integrar esse processo de identificação digital. Mesmo sem ser o foco principal de seu conteúdo, sua autenticidade visual e sua forma de se vestir ajudam a fortalecer a conexão com o público e consolidam sua presença como creator.

“A moda também comunica personalidade. Mesmo quando não é proposital, a forma como você se veste, os acessórios que usa e a estética que constrói acabam fazendo parte da sua identidade digital. Hoje o público observa tudo. Muitas vezes, a conexão começa justamente porque a pessoa se enxerga naquele estilo, naquela autenticidade e naquela forma de ocupar a internet sem tentar parecer algo distante”, completa. Em um cenário onde creators se consolidam como novas referências culturais e comportamentais, Andi acredita que autenticidade seguirá sendo um dos ativos mais importantes da creator economy.
“No fim, o público sempre percebe quando existe verdade. E é isso que transforma creators em algo que vai além do algoritmo: eles viram referência, linguagem e, muitas vezes, parte da cultura da internet.”
