Estilista quilombola transforma peças de alfaiataria a partir de bordados manuais e referências da cultura preta.
Em meio ao crescente debate sobre sustentabilidade e novas formas de consumo na moda, Dih Morais encontra no upcycling uma maneira de criar peças que vão além da estética. O estilista trabalha a partir de blazers, que são ressignificados e ganham novas possibilidades por meio de intervenções autorais, tendo a identidade preta como um dos principais pilares de sua criação.

O processo envolve bordados manuais, aplicações e diferentes técnicas artesanais que transformam cada blazer em uma peça única. Para Dih, o reaproveitamento é apenas o ponto de partida de uma construção que envolve referências culturais, memória, identidade e uma estética própria. A alfaiataria, nesse contexto, passa a funcionar como uma tela para expressar diferentes narrativas.

“Quando eu olho para um blazer, não vejo só uma peça de roupa. Eu vejo uma possibilidade de contar uma história e construir uma identidade. O meu trabalho parte do upcycling, mas ganha uma outra dimensão quando eu trago os bordados, o trabalho manual e, principalmente, uma perspectiva preta para essa criação”, afirma Dih Morais.


A proposta já chegou ao guarda-roupa de nomes como Carla Correa, Lívia Santana, Fred Nicácio e Vaz, promotora de Justiça da Bahia, entre outras personalidades. A escolha de pessoas pretas para vestir suas criações também reforça uma das características do trabalho de Dih: criar uma moda que dialogue diretamente com representatividade, pertencimento e expressão individual.


Ao unir sustentabilidade, técnicas artesanais e identidade, Dih Morais amplia as possibilidades do upcycling dentro da moda e apresenta uma perspectiva autoral sobre o tema. Seus blazers se tornam, assim, peças que carregam não apenas uma nova vida, mas também símbolos, referências e histórias que colocam a estética e a identidade preta no centro da criação.
