Atriz celebra novo passo na carreira, além de preparar projetos fora dos palcos, como a série “Emergência Radioativa”, da Netflix
A lendária Zezé Motta é homenageada nos palcos com um espetáculo celebrando sua vida e obra, a responsável por representar, e dar voz, a essa atriz emblemática é a paulistana Larissa Noel. Aos 29 anos, a atriz lidera “Prazer, Zezé! O musical”, que propõe um olhar crítico sobre a trajetória de Zezé Motta, uma mulher negra, que construiu relevância artística em um campo cultural atravessado por desigualdades estruturais. O espetáculo faz temporada de 20 de março até 21 de abril no Sesc 14 Bis, em São Paulo.
“Zezé é intensa, ousada, alegre, tem uma mistura de inocência da jovialidade com a maturidade que a idade vem trazendo ao longo dos anos. E tudo isso é entregue em cena, e fora dela. Me identifico muito com a história e trajetória de Zezé quando diz respeito a como a arte esteve presente na vida dela desde sempre e como tem movimentado a vida dela até hoje”, conta.

Inicialmente, Larissa participou de uma leitura dramática do texto, e um mês depois foi chamada para a audição. “Foi um clima bem tranquilo, mesmo com o nervosismo, por realmente não ter ideia do que a equipe criativa estava procurando, mas a impressão que senti era que estávamos todos juntos, sentindo e enfrentando os desafios que uma audição proporciona. Mais tarde, por volta de 19h da noite, a produtora me ligou dizendo que eu havia passado. Chorei, foi uma festa em casa”, relembra a atriz.
“É inevitável pensar na responsabilidade de ser uma protagonista, e sendo a primeira vez é mais ainda, mas acima de tudo eu penso no quanto a Zezé merece essa homenagem em vida, e o quanto ela estará feliz vendo o resultado desse processo. É definitivamente um momento muito especial da minha carreira e eu estou extremamente feliz por ser dessa forma, contando essa história potente de Zezé”, reflete Larissa.
Os ensaios para o espetáculo começaram em janeiro, com um texto autoral. Junto de Larissa, estarão em cena dez atores. “A mente criativa está atenta e criando o tempo todo, quase que sem descanso. Vou dormir pensando na música que aprendi e acordo pensando no texto que decorei. É uma maratona”, comenta a atriz.
“Acima de tudo, espero que Zezé se sinta feliz e contemplada. É uma história enorme, e condensar tudo isso num musical parece insano, mas eu tenho certeza que vai ficar lindo. Trabalho com musical há 10 anos e estou acostumada com a loucura e correria que é levantar, estruturar e estrear um musical, mas no fim, é sempre muito gostoso”, diz.
Larissa compartilha de algumas similaridades com a atriz. Assim como Zezé, sua família tinha outro desejo para sua carreira profissional. “Minha mãe e minha vó tinham uma opinião muito forte, e compreensível, de que eu não teria oportunidades na carreira artística por não ser uma profissão estável financeiramente e por não dar muitas oportunidades pra pessoas pretas”, conta. Mas, assim como Zezé, que sempre bateu no peito e enfrentou questionamentos e imposições, Larissa deixou a faculdade de enfermagem para cursar arte dramática. “Zezé sempre foi referência pra pessoas pretas que acompanham a história das personalidades pretas artistas no Brasil. A gente se conversa quando diz respeito as decisões da vida artística, mesmo com o mundo dizendo que o lugar dela não era fazendo arte ou questionando a sua beleza, Zezé bate no peito e enfrenta tudo e todos correndo atrás da sua vontade. Eu fui atrás do meu sonho”, reitera.

A trajetória de artista na atuação começou em 2013 na companhia de teatro Cottal, onde descobriu que também queria estudar musicais. Antes, ela já fazia parte do ministério de dança e teatro da igreja que frequentava. A atriz fez parte da companhia por quatro anos, até entrar em seu primeiro espetáculo profissional, “Cartola, O Mundo é um Moinho”, em 2016, o primeiro da trilogia do samba da Fato Produções.
Fã de carteirinha de Zezé, Larissa destaca suas atuações em “Xica da Silva” e “Tudo bem” como suas favoritas. Ela também lembra de Adriana Lessa, Isabel Filardis, Augusto Pompeo, Eduardo Silva, Flavio Bauraqui, com quem já trabalhou, como grandes inspirações na carreira, além de Tatiana Tiburço, Naruna Costa, Sydney Santiago, Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Cartola, Viola Davis e Nina Simone.
“Minhas primeiras inspirações são meus amigos da companhia. Por mais que ali estivéssemos todos ‘brincando de fazer teatro’, era algo que fazíamos por amor, e dedicávamos tempo, dinheiro, disposição e disponibilidade pra estar lá, e foi o que me inspirou a seguir carreira também”, relembra.
Fora dos palcos, Larissa Noel já deixou sua marca no audiovisual em séries como “3%”, na Netflix, e “Desejos S.A”, do Disney+. “Apesar de não ter sido meu primeiro trabalho no audiovisual e já estar acostumada com a dinâmica de um set, minhas experiências foram com curtas, equipe menor, orçamento menor também. Estar naqueles sets era viver tudo o que vivi no curta dez vezes mais. Aproveitei cada momento, cada ensaio, cada troca com os atores e isso me fez querer estudar e estar mais envolvida com audiovisual”, ressalta a atriz.

Além dos palcos, a atriz pode ser vista em “Emergência Radioativa”, série sobre o acidente radioativo em Goiânia nos anos 80, que estreia em março na Netflix. Ela Contracena com Johnny Massaro, William Costa, Alan Rocha, Bukassa Kabengele, Ana Costa e Victor Salomão, e interpreta uma das primeiras contaminadas. “Dividir cena com esses atores foi incrível. Foram 8 dias de gravações, mergulhando nesse universo em Goiânia dos anos 80, um acidente radioativo onde parecia que era o fim do mundo”, conta.
“Essa série movimentou ainda mais minha vontade de estar em cena gravando conteúdos, seja cinema ou TV. Eu vinha de alguns anos fazendo curso de treinamento de atores com Estrela Straus para aprimorar técnica de atuação pra TV e cinema. Quando surgiu a oportunidade de estar no set de gravações, foi como ver todos os esses anos de estudo e aprimoramento se materializando”, completa.
